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Bahia em parceria francesa

Reportagem publicada no Jornal A Tarde – Caderno 2, no dia 18 de setembro de 2008

Viladança faz espetáculo com a Toufik OI, e Museu du Ritmo pode abrigar Centro de Música Negra no Ano da França no Brasil

LIANA ROCHA
lrocha@grupoatarde.com.br

Parlez vous français ou não, no próximo ano a França invade o Brasil com uma programação diversificada e singular. É o ano da França no Brasil, o França. br, que vai não só trazer a contemporaneidade francesa em diversas áreas como também estabelecer parcerias com brasileiros.

Interessados em apresentar projetos que não dependam da Lei Rouanet para a busca de patrocínios podem se inscrever até o dia 30 de setembro (veja site no destaque).

E a Bahia, um dos Estados que participam das comemorações, por enquanto, é também o único que terá, através do Faz Cultura e do Fundo de Cultura, uma linha especial de recursos voltados somente para projetos francobaianos.

Será distribuído R$ 1, 2 milhão para projetos já chancelados pelo Comitê Misto do evento. Os critérios devem ser anunciados nas próximas semanas, segundo Monique Badaró, assessora de Relações Internacionais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult).

PROGRAMAÇÃO –“Já temos diversos projetos chancelados na Bahia”, adianta ela. Monique explica que, em iniciativas como esta, país organizador e país acolhedor dividem as responsabilidades financeiras, através dos mais diversos mecanismos de patrocínio.

Dentre os projetos já chancelados, Monique cita as ações que serão realizadas por instituições públicas, como o Museu de Arte Moderna e o TCA, e outras que são resultado de iniciativas particulares, muitas em parceria com baianos.

Uma delas é o espetáculo Side by Side, que será criado em conjunto pelos coreógrafos Toufik Oudrhiri Idrissi, da Compagnie Toufik OI, de La Rochelle (de Charente-Maritime, França) e a baiana Cristina Castro, da Cia Viladança (do Teatro Vila Velha).

Os dois diretores já estão em contato, via internet, mas devem se conhecer pessoalmente somente em abril de 2009, quando ele vem participar do Mês da Dança no Vila, apresentando espetáculo e fazendo workshop.

A idéia é que os dois coreógrafos compartilhem a criação de um espetáculo que terá bailarinos baianos – não necessariamente somente da companhia Viladança – e a música de um colaborador francês de Toufik.

“Acho que o resultado já é o processo. A gente tem uma coisa em comum, que é o corpo sem barreiras”, entrega Cristna.

Quanto à questão da nudez dos bailarinos, característica das coreografias de Toufic – já que o corpo é o centro do seu trabalho – já foi conversada com o grupo e Cristina prevê que não será problema, mas um desafio.

“A gente tem que acreditar no que está fazendo e ninguém é obrigado a nada”, pontua.

Outro projeto que entusiasma os organizadores do França. br é o Centro de Música Negra em Salvador. Proposta do Mondomix – grupo francês especializao em world music –, o centro está concebido como um museu audiovisual interativo que funcionaria no Museu du Ritmo, de Carlinhos Brown, no Comércio.

No comecinho de outubro, o diretor do grupo, Marc Benaiche, estará em Salvador para novos encontros com Brown. O grupo disponibilizaria o conteúdo com toda a história da produção musical de origem africana em 15 diferentes pontos do globo.

O Museu du Ritmo entraria com o espaço (já garantido) e a instalação e manutenção. Para estas últimas partes, ainda se busca patrocínio.

“A idéia caiu como uma luva dentro do projeto maior do que é o Museu, que não é apenas uma casa de batuques ou ensaios carnavalescos.

O centro estar na Bahia é importante para o Brasil e para a América Latina”, aposta Brown.

Add comment Setembro 24, 2008


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